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Primeiros navios-tanque atravessam estreito após acordo com Irã

Três petroleiros com bandeira saudita, transportando 6 milhões de barris de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (18), poucas horas depois que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assinou um acordo para pôr fim à guerra que tem prejudicado o abastecimento global de energia. No Líbano, no entanto, onde mais de 1 milhão de pessoas estão deslocadas devido aos combates, as forças israelenses lançaram novos ataques aéreos na manhã de hoje, levantando dúvidas s

Fonte: Maya Gebeily, Rami Ayyub e Jonathan Saul - Repórteres da Reuters18 de junho de 2026 às 10:555 visualizações
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Primeiros navios-tanque atravessam estreito após acordo com Irã
Foto: Agência Brasil
Três petroleiros com bandeira saudita, transportando 6 milhões de barris de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (18), poucas horas depois que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assinou um acordo para pôr fim à guerra que tem prejudicado o abastecimento global de energia.

No Líbano, no entanto, onde mais de 1 milhão de pessoas estão deslocadas devido aos combates, as forças israelenses lançaram novos ataques aéreos na manhã de hoje, levantando dúvidas sobre até onde Trump irá para forçar seus aliados de guerra a interromper uma ofensiva que ele agora se comprometeu a encerrar.

Trump assinou, nessa quarta-feira (17), o “memorando de entendimento” para encerrar a guerra, assim como o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fazendo com que o acordo entrasse em vigor dois dias antes do previsto. O acordo prevê a abertura imediata do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.

Embora as empresas de transporte marítimo afirmem que ainda levará algum tempo para que o tráfego pelo estreito retorne aos níveis pré-guerra — já que ainda é preciso garantir o acesso seguro e remover as minas —, houve sinais imediatos de um impacto.

Navios que antes poderiam ter ocultado suas posições desligando os transponders agora estavam transmitindo suas localizações, prontos para atravessar o estreito.

Os preços de referência dos futuros do petróleo Brent caíram mais 2%, ficando abaixo de US$ 78 o barril, o menor nível desde o início dos ataques.

O memorando entre EUA e Irã dá início a um período de negociação de 60 dias para se chegar a um acordo definitivo para a guerra, que Trump iniciou em fevereiro ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Memorando

Mas Israel, que lançou uma invasão do Líbano em março - e, desde então, tomou grande faixa do sul do Líbano em sua perseguição aos militantes do Hezbollah que abriram fogo por meio da fronteira em apoio ao Irã - foi excluído das negociações.

O Irã sempre afirmou que qualquer acordo de paz precisa abranger também o Líbano. Em aparente concessão significativa ao Irã, o memorando assinado por Trump exige explicitamente o “fim definitivo” da guerra no Líbano e que sua “integridade territorial e soberania” sejam garantidas.

Com o Líbano entre as questões mais delicadas dos esforços de paz, Trump, nos últimos dias, passou a criticar abertamente as operações de seu aliado no país, acusando Israel de destruir desnecessariamente prédios inteiros para atingir combatentes do Hezbollah.

Duas autoridades israelenses, incluindo uma de alto escalão próxima a Netanyahu, disseram à Reuters que Israel mantém negociações com os Estados Unidos, pois busca continuar com o destacamento de tropas no sul do Líbano.

Embora os combates no Líbano tenham diminuído no início desta semana, quando Trump anunciou pela primeira vez que o acordo havia sido alcançado, eles se intensificaram nos últimos dias e continuaram na manhã de hoje, após a assinatura de Trump.

A mídia estatal libanesa noticiou ataques aéreos e fogo de artilharia atingindo cidades no sul, matando pelo menos uma pessoa dentro de um carro. Repórteres da Reuters ouviram um drone israelense voando baixo sobre Beirute e seus subúrbios ao sul.

“O Irã e os norte-americanos chegaram a um acordo. Tudo bem. No Líbano, ainda não acabou”, disse Mohammed Doghman, um homem deslocado da cidade de Nabatieh, no sul, para Beirute, que estava sentado do lado de fora de sua barraca, forçando a vista no celular para ler as notícias.

“Eles deveriam nos dar uma resposta definitiva: a guerra acabou de vez ou vamos voltar a ela novamente?”

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

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